Umas das realidades mais presentes no Distrito Federal, até mesmo por sua configuração de crescimento ao redor de Brasília, é a situação de cidades - dormitórios.
São poucas as localidades que oferecem oportunidade de absorção da força de trabalho em idade ecomicamente ativa, e quando muito, essa mão-de-obra é de extrema especialização e salários poucos atrativos. Com sua história construída a partir da grilagem de terras, sem planejamento urbano,territorial ou humano, o Arapoanga, em sues cerca de vinte anos de existência , padece do mesmo mal.Inicialmente um loteamento parcelado em glebas de até cinco mil metros quadrados, voltados para a classe média ( inclusive um de seus primeiros nomes foi " Setor de Mansões Arapoanga "), rapidamente a região foi povoada por migrantes e moradores da cidade na busca pelo direito constitucional à moradia.
Cerca de cinco anos após seu início, o loteamento já alcançava os vinte mil moradores que já faziam frente à atenção governamental em relação à infraestrututa, que no totallmente inexistente.Da metade da década de 1990 para cá, o bairro inflou-se ultrapassando a marca dos cinqüenta mil habitantes. Sendo a cidade de Planaltina-DF já deficitária no que concerne à absorção da massa em idade produtiva e conhecida cidade-dormitório, ficou evidente a impossibilidade de alocação dessa força de trabalho existente na localidade do Arapoanga, o que levou a comunidade, com ajuda das organizações de bairro, associação de moradores e cooperativas locais, a buscar alternativas a essa realidade. Dos comerciantes locais - inicialmente na clandestinidade,devido à dificuldade burocrática em regularizar seus empreendimentos - aos empreendedores informais, o comércio local tenta se estabelecer como alternativa à precariedade do acesso ao emprego fora da região de Planaltina -DF.
Forma de Comércio Clandestino
Por iniciativa dos moradores organizados houve a criação da feira de produtores locais,em funcionamento precário até hoje, onde se escoa a produção da região e se absorve pequena parcela da mão-de-obra local. Mão-de-Obra que também tenta ser absorvida pelas cooperativas de corte ecostura, além da reciclagem. Dentre as dificuldades encontradas no acesso ao local de trabalho está inevitavelmente a distância, aumentada pela falibilidade do sistema de transporte local e a periculosidade do acesso aos pontos de ônibus.
Há Vinte Anos sofrendo com dificuldade de acesso, com a economia local incapaz de criar alternativas para gerar posots de trabalho, a população do Arapoanga aguarda a iniciativa governamental e até mesmo do terceiro setor, para sanar, ou ao menos minimizar, a realidade de cidade-dormitório, pois com a economia local mais dinamizada e com mais vagas de trabalho, haveria o retorno econômico com geração de renda, qualidade de vida, e o mais importante, dignidade.

